terça-feira, 15 de julho de 2008

Hair


“Quando a lua estiver na 17ª casa
E Júpiter se alinhar com Marte
Então a paz guiará os planetas
E o amor comandará as estrelas
Esse é o amanhecer da era de Aquário
A era de Aquário
Aquário!
Aquariooooo!”

O clamor pelo desapego e pelo amor livre eternizado nas canções fazem de Hair um documento valioso à respeito do movimento hippie, por se tratar de uma obra feita no mesmo período de toda a coisa.
A primeira vez que assisti ao musical, estava na terceira série, antes de uma festança de fim de ano promovida pela escola. Professora prendendo na sala crianças em polvorosa. Resultados catastróficos na hora da apreciação. Sem falar do peso que faz a falta de maturidade aos 9 anos de idade.
Mas o tempo resolve tudo. Me permiti revisitar o clássico e depois de tanto tempo foi alegrante mudar de opinião. Hair é uma graça.
Essencial no cânone de qualquer haribô contemporâneo, o filme conta a história de um grupo de hippies que influencia com seus valores de paz e liberdade um rapaz pacato do interior, que visita a metrópole à caminho do exército, prestes a viajar para lutar na guerra do Vietnã.
Propaganda convicta anti-belicista, é curioso ver algo pertencente ao próprio sistema (lembremos se tratar de um produto da indústria cinematográfica americana), polemizar tantos elementos.
O grande trunfo do filme é apresentar personagens heterogêneas, redondas e até mesmo algumas possuidoras de falhas de caráter. No grupo, figuram as “escórias da sociedade”- a mulher grávida e solteira, despreocupada com a paternidade da criança; o negro Black power, que mais tarde revelar-se-á como um abandonador de lar; o gay (que embora negue em determinado momento na sua fala, mantém todas as ferramentas- sem querer aqui fazer qualquer tipo de piadinha), entre outros. Curioso é notar que o líder do grupo é um macho, branco e forte. E que num grupo que presa pela liberdade e igualdade, haja alguém definindo as regras e os rumos, que desempenhe o papel do “esperto”, o condutor. Seriam as alfinetadas do próprio sistema?
Seguindo uma linearidade de fatos, o rapaz apaixona-se por uma moça aristocrata, os hippies ajudam-no a conhecê-la, até que os seus dias de liberdade chegam ao fim e ele finalmente entra para o exército, cedendo às pressões sociais. Mas a história ainda continua, quando eles decidem reencontrá-lo no acampamento das forças armadas.
Claro que tudo isso regado por muitas, muitas musiquinhas alegres (algumas cansativas, ok) e inúmeras Coreôs no melhor estilo Haribô-70. A alma de toda uma década lá, retratada ainda por todo exagero do figurino- e os maravilhosos cabelos, claro. Grande foi a minha surpresa ao ver uma das melhores canções de Nina Simone (se não, A Melhor- Ain’t Got No/I Got Life), sampleada e adaptada ao enredo, sendo cantada por mais de uma vez. Brilhante e divertido.
A era de Aquário, pelo visto, não deu as caras. E sabe deus por onde andam hoje as ideologias de toda uma geração. Mas rever Hair traz um pouco de frescor e leveza à forma de como encarar as coisas. Vale a pena, ta no balaio das Americanas.

4 Comentários:

Anonymous Luisa disse...

Parece bom mesmo o filme, deu vontade de ouvir I Got You Babe de Sonny & Cher (viva a cultura pop) só de ler! :p
Mas discordo quando vc fala que a imaturidade aos 9 anos pesou, tanto não é assim que o momento em q vc viu o filme marcou de tal forma q vc lembra até hj e se permitiu rever!

16 de julho de 2008 08:47  
Blogger .F Marques disse...

ainda não vi, mais uma vez, mas fiquei doidinho pra ver, doidinho... rsrsrs.

16 de julho de 2008 09:24  
Anonymous Gerana disse...

Como sempre vc está ótimo falando de filmes. É coisa de talento mesmo. Não vejo a hora de ter orgulho assistindo como sua opinião sobre a 7ª arte é respeitada e lida em celulose.

17 de julho de 2008 18:28  
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