quarta-feira, 2 de abril de 2008

Adaptação



É foda. Não dá para manter o nível na hora de falar sobre Adaptação: a porra do filme é uma das coisas mais legais que os EUA produziram nos últimos anos.
Também, não dá para se esperar menos de um quadro tão incrível de envolvidos: Nicolas Cage e Meryl Streep (!!) prota e antagonizando, pontinhas de Maggie Gyllenhaal, Tilda Swinton e Catherine Keener (que apenas sorri- hilária), Spike Jonze na direção (de Quero ser John Malkovich) e roteiro de Charlie Kaufman- a mente pop mais brilhante do cinema de lá (corram para as locadoras: ele também escreveu Quero ser John Malkovich, Brilho eterno de uma mente sem lembranças, A Natureza quase humana e Confissões de uma mente perigosa).
Adaptação é uma explosão metalingüística das mais empolgantes. No filme, o próprio Charlie se coloca como protagonista (o que soa deveras egocêntrico, numa análise menos passional), atormentado por um dilema: o que escrever quando se é visto como um roteirista brilhante e original? O que fazer depois que todo mundo cultua a sua obra anterior?
Sexualmente frustrado, em constantes conflitos com o seu irmão gêmeo (Cages-Kaufmans-Cages. A essa altura o espectador já não tem muita noção do que pode ser ficção, ou realidade) e encarregado de adaptar o best-seller de Susan, uma jornalista famosa, o filme narra o quão doloroso pode ser esse processo, valendo-se da linguagem para dar constantes alfinetadas na própria indústria cinematográfica. Paralelo a isso, vê-se a própria história da construção do livro de Susan, e o seu tórrido envolvimento com o grosseiro John Laroche, um amoral contrabandista de flores.
Entender-lhe-ei, leitor, se não tiver entendido nada dessa efusiva resenha até agora. Mas não me julgue (nem pelo nível de abstração, nem pela mesóclise. Adoro! :D). Consulte outro alguém que tenha assistido ao filme e note o quanto é difícil para ele definir a sinopse de Adaptação. Mesmo que tenha odiado.
É uma intensa profusão de quebra de barreiras pré-determinadas. Uma prova de que não há limites para o roteiro e personagens. A abstração, a “loucura” é a sua graça maior.
Porém, isso não quer dizer que seja um filme difícil e denso (talvez). O humor é a sua chave, que perto do fim, adota para si algumas características e clichês do cinemão norte-americano. Uma brincadeira do próprio Kaufman com a sua classe. Ainda há, pra terminar o deleite, uma trilha sonora super fofa (Happy Together- The Turtles). É assistir pra confirmar. Vale a pena, caralho!

6 Comentários:

Blogger valtertonha disse...

Não assistiu ao show e eu não vi o filme...
Estamos juntos nesta! rsrsrs...
Mas vale pelas palavras, pelo texto!
Obrigado!

2 de abril de 2008 19:00  
Blogger Lipe disse...

Adaptação é um luxo que espero conhecer.

Felipe Monteiro.

2 de abril de 2008 19:05  
Blogger woodstock disse...

meniiiiiiiiiino rs
mr. kaufman eh dels! e isso vindo de uma pessoa que só assistiu um filme dele [brilho eterno], mas ficou completamente deslumbrado. ademais, vários outros filmes escritos por ele são cults e isso, por si só, já seria motivo de curiosidade da minha parte.

e tá ligado que esse ano ele vem causar reboliço de novo ne! reflita: Synecdoche, New York - seu debut diretorial. e olha esse elenco miog!! academia, begosmiliga!!

2 de abril de 2008 21:17  
Blogger .F Marques disse...

vale a pena, caralho!

3 de abril de 2008 14:25  
Blogger niltim disse...

melhor filme de Cage que eu já vi.

9 de abril de 2008 04:47  
Anonymous Du disse...

poxa, devo estar mesmo "out" de tudo que se refere a cinema. Assisti ao filme ontem e não gostei não. Mas não se preocupe, deve ser ótimo [pra quem gosta]. ;)

26 de abril de 2008 14:09  

Postar um comentário

Assinar Postar comentários [Atom]

<< Página inicial