domingo, 9 de março de 2008

Fahrenheit 451


AVISO: contém spoilers. Depois não diga que eu não avisei. (thanks, miog!)


Difícil eleger o que é mais charmoso em Fahrenheit 451. Adaptação cinematográfica de um romance famoso, o filme é um clássico da década de 60 que merece ser conferido por suscitar uma discussão pertinente e viável: e se o direito à leitura fosse vetado?
De cara, a proposta é muito boa. Num futuro repressor, um clima de terror é instaurado por um governo totalitarista (assemelhando-se ao que inspiraria Alan Moore alguns anos depois, nos quadrinhos V de Vingança), que proíbe a população de ler qualquer tipo de livro. Para manter a ordem social intacta, os bombeiros exercem a função de queima das obras literárias que os rebeldes teimam em preservar escondidas. Vive nesse contexto Montag, um bombeiro exemplar, que começa a duvidar dos seus valores quando conhece Clarisse, uma jovem professora.
Instigado pelos ideais da nova amiga e desconfortável com a alienação da esposa desequilibrada e acomodada com a vida fútil da sociedade subserviente (ambas interpretadas por Julie Christie, o que causa uma certa confusão no espectador), Montag passa a se questionar sobre o trabalho que exerce e sobre o conteúdo dos livros. Até que se arrisca a ler o primeiro.
De maneira extremamente evolvente, dá-se então a transformação do protagonista. A sua rebelião contra o sistema, a sua iniciativa desesperada (um heroísmo sem questionamentos morais), que resulta na sua fuga e no encontro com os Homens-Livro, a metáfora mais bonita do filme, carregada de poesia.
A concepção de futuro é muito interessante. Há toda uma preocupação em retratar uma assepsia estética que normalmente se espera (ou se esperava) do futuro, mas que inevitavelmente aparece mesclada ao encanto da década de 60: as cores, os figurinos, os cabelos. Assim como estranha narração dos créditos no início do filme, lembrando a quem assiste que é proibido se ler. Brilhante. Ainda devem ser levadas em consideração as boas atuações e a trilha sonora tensa e angustiante.
Dirigido pelo francês François Truffaut, Fahrenheit 451 (referindo-se à temperatura ideal para um livro entre em chamas imediatamente)é entretenimento garantido com um enredo inteligente que antes de tudo, faz pensar.

5 Comentários:

Blogger woodstock disse...

wow!
reflita miog, fui na locadora devolver uns filmes e pegar outros e peguei o assassinato de jesse james e planeta terror [escrevi a cirica no blog de cinema le la dps] e ganhei um catálogo de graça e escolhi bem esse pq era truffaut e pq vc tinha o resenhado aqui msm sem ter lido a resenha de fato. [reflita no fluxo de consciencia sem fôlego desse parágrafo... risors]

mas agora que li e amey a review fiquei mais empolgado ainda ver o filme até mesmo pq é com julie christie por quem me apaixonei completamente ano passado com a oscar season................ só uma coisinha qnt ao texto: acho que vc entregou alguns pontos do filme que talvez fossem interessantes serem descobertos com a "assistência", pelo menos pra mim. contudo não retira o desejo em ver o filme, pelo contrário o instiga.

begos!

11 de março de 2008 08:52  
Blogger Cristiano Contreiras disse...

Truffaut é fantástico, desnuda em cada filme seu cada universo com uma certa diferença.

Meus prediletos dele são "Os Incompreendidos", "Jules et Jim" e "Um Só Pecado"...

11 de março de 2008 12:42  
Blogger woodstock disse...

miog
bota o droga de celuloide nos seus links tbm
http://drogadeceluloide.blogspot.com/

11 de março de 2008 21:43  
Blogger Jarbas disse...

hey.

um baiano. [pulos de alegria]
valeu pela visita, gostei do seu blog;

= )~

tenha um ótimo fim de semana;
volte sempre será sempre bem-vindo!

15 de março de 2008 03:36  
Blogger Eliana Mara disse...

Bom saber que no espaço da "disciplina" já começamos este trabalho de teia.
Envie pro nosso blog da turma...
Abraços.

19 de março de 2008 18:37  

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