domingo, 27 de janeiro de 2008

O Fabuloso destino de Amélie Poulain


Quando chegou aos cinemas, em 2001, O Fabuloso destino de Amélie Poulain fez um grande sucesso. Hoje, 7 anos depois, o filme tem um status de neo-clássico garantido por uma legião diversa de fãs que possui algo em comum: o interesse (por mínimo que seja) pela 7ª arte.
Não tem tiros e explosões, nem é um drama daqueles de desesperar qualquer um de angústia. Fala, antes de tudo, do sentimento humano e de algo sensível, mas imperceptível à maiorias dos olhos: os pequenos prazeres e manias de cada um, coisas particulares que todos possuem, mas poucos se atentam.
A história é uma fábula leve e divertida que narra a vida de Amélie Poulain, uma menina que por viver solitária na “companhia” distante do pai, passa a ver o mundo sob um ótica mais fantasiosa, descompromissada da realidade dura e cultiva um interesse pelos pequenos prazeres (uma sacada genial, só pra frisar). Descobre um dia, um pequeno segredo que a destina a uma missão e a partir daí decide disseminar o bem para todos que estão ao seu redor. Até que se envolve numa jornada pessoal em busca do amor que precisa para que a sua vida esteja completa.
A identificação do espectador com as personagens e principalmente com a protagonista, é o elemento-chave que faz o sucesso do filme. A aura onírica da produção combinada com um enredo fértil e bem amarrado encantam por duas horas que passam sem serem sentidas.
Fotografia, atuações, movimentos de câmera e uma trilha sonora feita de valsas singelas e lindas compõem uma sucessão de êxitos, ficando impossível para o resenhista não rasgar seda. Amélie é clássico sim e merece ser visto. Pronto, falei.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Um Corpo que Cai


Um corpo que cai é considerado obra-prima de Hitchcock. E merece mesmo ser visto assim.
Filmado em 1958, o filme possui um enredo bem articulado e denso, composto por surpresas e reviravoltas. Um policial que sofre de acrofobia (medo de altura) é contratado por um amigo para seguir a sua mulher, atormentada por motivos obscuros.
Ao presenciar uma tentativa de suicídio dela, ele é obrigado a se aproximar, acabam construindo uma relação muito próxima e se apaixonam perdidamente, como todo bom filmão antigo.
A partir disso o espectador é envolvido pela história rica e instigante, que provoca inúmeras indagações sobre os rumos dos protagonistas.
Seria mesmo Madeleine uma figura louca? Ou atormentada pelo encosto da bisavó? Estariam mesmo apaixonados, já que tudo ocorre tão rapidamente? As dúvidas brotam a todo instante, causando um impacto novo a cada revelação.
A agilidade e riqueza do roteiro são enriquecidos pelas boas atuações, trilha sonora tensa, figurino impecável, que acabam confirmando esse status triunfal da produção.
Mas nem tudo é sucesso. Tivesse Kim Novak um maquiador mais competente, seria muito mais crível encarar a moça como uma femme fatale genuína, sem as medonhas sobrancelhas triangulares que destoam do seu rosto bonito (o.k, piadinha idiota, mas necessária. O que é aquilo, minha gente??).
Um real marco na história do cinema, Um corpo que cai chegou a inspirar em 97, a banda Faith no More, que gravou um clipe cheio de referências irônicas à obra: mas apesar de Jennifer Jason Leigh encarnar uma Madeleine Elster mais bonita, o charme não é o mesmo. E a música é ruim.


aí o clipe:

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Piqueninque no Front


A comédia é um artifício interessante para se conquistar a atenção do público. Com boas tiradas, cabe ao realizador o papel de decidir utilizá-la como mero entretenimento ou como instrumento para se discutir algo além.
É nessa segunda linha que Piquenique no Front se encaixa.
Na Guerra, um soldado inferior vive enfadado com a sua rotina inerte e perigosa no campo de batalha. Até que inesperadamente surgem os seus pais, saudosos da sua companhia, para realizar um piquenique lá mesmo. No desenrolar, aparece um soldado inimigo e tão perdido quanto o outro, que acaba rendido e entrando na reunião.
A história absurda, aparentemente ingênua e bem-humorada é pretexto para ironizar os horrores da guerra e o efeito dela na moral humana, a bestificação do povo perante as atrocidades que ocorrem por motivos que não lhes são particulares.
As piadas, embora soem inocentes algumas vezes, se mostram eficazes e convincentes ao defender esse ponto de vista, assim como o tom exageradamente teatral de alguns atores, que no início causa estranhamento, mas é apenas mais um fator ridicularizante do contexto.
O maior trunfo da peça é a curta duração. Se fosse maior, talvez não obtivesse o mesmo rendimento, já que o tema abordado (a guerra, e não a situação) apesar de rico, atravessa as gerações sendo abordado constantemente pelos mais diversos meios da ficção (eufemismo pra “batido”). Sendo assim, Piquenique no Front conquista por sua agilidade, graça e principalmente, objetividade.
Hora do Merchan:
Piquenique no Front- Teatro Martim Gonçalves (Escola de Teatro da UFBA)- de 04 a 13 de Janeiro 20h (sáb e dom às 18h e às 20h)ENTRADA FRANCA