sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Perdas e Danos


O clube de cinema de férias começou bem: a reunião inaugural (presidida pela digníssima Soraia, que introduziu e conduziu a discussão) foi marcada pela exibição de Perdas e Danos, de 1992.

Perdas e Danos não tem nada de novo; Facilmente reconhecível por um padrão britânico noventista (abordagem de temas, elitismo social, trilha sonora substancialmente incidental e presente, cor, etc etc- talvez uma mera coincidência faça tantos se encaixarem neste “estilo”), possui um enredo simples e envolvente.
Um frio e seco político europeu, líder do parlamento conservador (Jeremy irons, dando um caldo booom), dono de uma família centrada e aparentemente impecável, envolve-se com a namorada do seu filho, uma mulher singular e misteriosa, encarando um romance tórrido e descontrolado.
A grande questão do filme é a condução da história. Não é difícil começar a se importar com a relação das personagens, tratada sem julgamentos moralistas ou romantismo alienado.
Stephen é um homem sem emoções, que de maneira súbita encontra um sentido para a sua vida, passando a precisar disto para continuar vivendo. Anna, (interpretada por Julliete Binoche) é uma femme fatale andrógina e ainda assim, feminilíssima e sensual que ao contrário dele, sempre teve sede de viver, de encarnar emoções e sensações. Mesmo que isso custe a dignidade ou até a vida alheia.
As cenas de sexo, selvagem e intensamente bem feitas, quebram a estética fria do filme, mas a trilha sonora didática (hora do susto!; hora do tédio!; hora da putaria!) irrita um pouco.
Baseado no romance de Josephine Hart, Perdas e Danos se mostra um exercício cinematográfico interessante.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Janela Indiscreta




Um fotógrafo sofre um acidente e é obrigado a ficar durante semanas preso a uma cadeira de rodas, dentro do seu apartamento. O ócio misturado à incontrolável curiosidade inerente ao ser humano, numa época em que não existia celular, velox e SKY, o faz voltar a sua atenção para os apartamentos alheios, observar a vida da vizinhança como meio de entretenimento.
Ao observar atitudes suspeitas de um vizinho, começa a acreditar num possível atentado cometido por este contra a sua mulher. Aliado à sua namorada (Grace Kelly, maravilhosa) e a uma enfermeira, começa a investigar obsessivamente o caso, pondo em risco a sua integridade moral.
É inegável dizer que Janela Indiscreta seja um clássico. Dirigido por Alfred Hitchcock, o filme já inspirou algumas refilmagens e homenagens no cinema atual. A forma moderada de se dosar o suspense (como confirmar que seja mesmo?), o humor presente na trama simples, porém envolvente e eloqüente, enchem os olhos.
A grandeza do cenário, os movimentos de câmera curiosos e necessários, as boas atuações e a beleza de Grace Kelly (!) são aspectos encantadores que não podem deixar de serem abordados.
Ágil e inteligente, Janela Indiscreta confirma o seu posto como referência cinematográfica, ao tratar de maneira firme a questão da emancipação feminina sem pieguices, num período machista da sociedade americana.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

O poste, a mulher e o bambu

O poste a mulher e o bambu (uma homenagem à piada de Silvio Santos, para que os mais perdidos como eu, se situem), é um conjunto de referências da obra de Nelson Rodrigues, que tem a sua carreira marcada por uma literatura crua e sexualmente intensa.
Concebida pelos desconstrutores pós-graduados do Dimenti (ok, já cansei de falar deles, não?), é entretenimento puro. Formada por esquetes que não possuem muito sentido entre si, além de se basearem livremente na essência do autor, pode desagradar e assustar, já que fica difícil encontrar um fio condutor de sentido nas seqüências apresentadas.
Mas desapegando-se de valores estéticos e de necessidade de noção (o que pode ser difícil), curtir a peça em toda a sua plenitude é um exercício prazeroso. Não são poucos os momentos hilários, recheados de piadas infames e situações constrangedoras.
Talvez, alguns minutos a mais faria bem a peça. Pelo menos para o público, ávido por mais um bom momento - a última, dos times, é imperdível. Mas não esqueçamos também do monólogo Acid Vagina e do Talk Show.
Porém, se falar mais estraga. O interessante é conferir a estranheza de perto.