segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Casa de ferro

Ainda me lembro da cena de uma novela ruim, de quando eu era pequeno: Babaloo e Raí (maravilhosamente canastrões) iam para o teatro. Ao chegar lá, tinham as suas roupas arrancadas pelos atores e eram carregados para o meio do palco, nus. Desesperados, conseguiam fugir e eram obrigados a usar vestes feitas com jornal dobrado para enfrentar a odisséia de chegarem em casa vivos. Ao fazer o passeio, o casal, um tanto popular, não sabia uma coisa: era teatro experimental.
Ainda aproveitando a febre artística da cidade, fui conferir A casa de Ferro, que integra o quadro do Festival nacional de teatro na Bahia.
Não, eu não tive as minhas roupas rasgadas, nem fui levado ao palco. Mas o sentimento de panaca foi o mesmo.
O monólogo é sobre os dramas da escravidão (UAU) no Brasil e os efeitos gerados por ela. Metade em ioruba, metade em grito, metade em choro. Vestido numa tanguinha fio-dental, o ator deu show de Ioga, com direito a banho de lama, água, farinha de trigo. Uma meleira.
Antes que me crucifiquem como tapado, aviso que não tenho nada contra espetáculos experimentais; desde que sejam experimentados com parentes e amigos dos envolvidos, antes de qualquer coisa.
Some-se isso a uma apreciação num teatro apertado e com o ar condicionado desligado. Transgressão público-enredo?? Câmara de tortura?? Problemas técnicos?? Tanto faz, foi o suficiente para se deixar um espectador irado.

0 Comentários:

Postar um comentário

Assinar Postar comentários [Atom]

<< Página inicial