sábado, 20 de outubro de 2007

Viva o povo brasileiro


Adaptar Viva o povo brasileiro é uma tarefa ousada- o volumoso romance de João Ubaldo Ribeiro é referência literária na Bahia, já que há anos é indicado para o vestibular da UFBA. Além dessa responsabilidade de passar pelo crivo de “fidelidade” de todos, são centenas de páginas com uma história riquíssima em detalhes.
Fugindo da forma convencional de se contar um épico, a montagem (que está em cartaz gratuitamente na escola de teatro da própria UFBA) se aproveita da ironia do livro e investe no bom humor para narrar a saga do Caboco Capiroba, Perilo Ambrósio, Maria da Fé e tantos outros.
No entanto, falta frescor à peça. O bom rendimento no humor, não convence nas alternâncias para o drama. Os cânticos e danças africanos soam forçados e pouco comoventes. O que parecem ser também ótimas sacadas também não soam tão originais assim (como não associar o canto falado de Ogum aos diálogos de Sonhos de uma noite de verão, ou o “esquecer de falar” das personagens, visto há tão pouco no Auto da Gamela e até mesmo o hino nacional ao ritmo de I Will Survive não é tão novo assim).
O cenário é simples, mas muito bem elaborado. O elemento mais interessante da obra escrita, o Poleiro das Almas é retratado e bem usado como pano de fundo. O revezamento dos atores para o volumoso número de personagens que se sucedem também é bem feito.
No fim, a ousadia (que deve ser valorizada) da produção paga um preço caro: três horas de espetáculo fatigam o espectador e não dão conta de toda a pluralidade da narrativa. O final é antecipado (o que arranca suspiros aliviados dos mais desesperados), deixando no ar a impressão de que falta alguma coisa. Mas é uma excelente opção de fixação do conteúdo, para os pré-vestibulandos que não são poucos, nessa terra das poucas oportunidades.

5 Comentários:

Blogger Helder Maia disse...

eu tava pensando em indicar pra alguns vestibulandos... mas quando vi que a peça tinha três horas desisti. a preguiça intelectual não permite ler o livro e muito menos 3h de teatro.. hahahhhahahah

20 de outubro de 2007 22:32  
Blogger geoamorim disse...

Gostei mto da sua crítica, mas (eu reles mortal e sem mto apuro crítico) acredito q a obra é um pouco complicada para resumir...fora os clichês(vai tomar no cu, etc..) achei interessante os elementos que são utilizados para fazer a a narrativa, sem contar na alusão ao teatro de bonecos, etc...tem os aspectos da raiz de brasileirismo que tanto é imantado na obra de João Ubaldo...naum sei...me convenceu...apesar de uns pontos fracos que acho que aos poucos irá se arrumando....

21 de outubro de 2007 13:38  
Blogger Gabriela Ramos disse...

hahahahahahahhaahah...
Eu não podia começar esse comentário sem uma gragalhada já que é isso que você estimula em todas as suas críticas. Não! Definitivamente não é um riso de ironia ou vilipêndio aos seus textos e sim por que você consegue fazer as críticas mais duras e sensatas de forma hilária.
Um cheiro enorme.

21 de outubro de 2007 14:45  
Blogger dessapramelhor disse...

Menino! Tirou as palavras da minha mente [sim, pq da minha boca, com toda essa elegância e excelente crítica, nunca sairíam!]!!!
Eu esqueci de comentar com vc que considerei o aproveitamento dos cenário simples, do figurino e da atuação dos atores, o ponto alto da peça! Ótimas sacadas!
Ele comentaram se faltava algum detalhe?

bjos!

22 de outubro de 2007 08:12  
Blogger Leitreiro disse...

chuchu
você é um ácido, e eu sou muito doce pra isso ;)

22 de outubro de 2007 14:40  

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