quinta-feira, 27 de setembro de 2007

A Geladeira


Juntar um grupo grande. Reunir patrocínio e ter influência suficiente para que um lugar de prestígio ceda espaço para a sua exibição. Arranjar um roteiro, uma história sem sentido, que não proponha discussão de nada. Ganhar dinheiro com isso. Provavelmente foi essa a linha de raciocínio dos realizadores de A Geladeira, peça que lotou seções durante semanas no Vila Velha.
Um pastelão disfarçado de qualquer coisa inteligente, que tem como objetivo negar a arte por nada, causar estranhamento no espectador a troco de nada. A trama (que finge ser confusa, mas é apenas estúpida) gira em torno de uma mulher que encontra uma geladeira no meio da sala. Ao reclamar, é estuprada pelo empregado, recebe a visita da mãe e da psicóloga. Todos os atores em cena se revezam, interpretando as mesmas personagens, ao mesmo tempo.
Tudo isso é pretexto para a encenação do ridículo: gordas gozando, maquiagens toscas, velhinhas em gestos obscenos (como se isso fosse a coisa mais radical dos últimos tempos) e uma conversa com um rato. Um desafio aos limites da pseudo-intelectualidade.
O que percebe-se constantemente na cena atual é a cinematização do teatro. Todo mundo quer transcender, ser irreverente, chocar. Mas para isso tenta-se valer de uma linguagem que seria muito mais convincente na tela do cinema e não num palco, ao vivo na frente do público. Lamentável que essas duas artes se confundam tanto. E o novo, o transcendental, o experimental, soe apenas patético.

1 Comentários:

Blogger Woodstock disse...

risos amigo vose falando mal é tão otimo! adorei o sarcásmos ferino!

9 de outubro de 2007 06:51  

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