domingo, 30 de setembro de 2007

Barrela

Elitismo ou fatalidade, a verdade é que teatro de 1,00R$ não rende. O projeto do TCA de proporcionar cultura a todos por um valor simbólico é muito bonito, mas não atinge o público da forma esperada. Apenas na fileira atrás da minha; cadeiras foram chutadas; uma mulher amaldiçoou a peça no seu clímax (por não gostar de ver cenas fortes). Já tive a oportunidade de conferir outras montagens através do mesmo projeto (como o desastroso Mestre Haroldo, por exemplo) e o resultado foi ainda pior.
Barrela é uma peça densa, trágica e crua, que trata do esquecido submundo penitenciário baiano. Narra uma noite em uma cela qualquer da Lemos de Brito, onde detentos discutem sobre as suas pelejas pessoais e vivenciam a miséria cotidiana. Sem julgamentos ou amenizações das suas atitudes, a verdade é exibida de maneira verossímil e indigesta.
E é justamente aí que a coisa infelizmente não funciona bem. O público não possui maturidade suficiente para encarar a dramaticidade da coisa e acaba levando na graça. Talvez por euforia, despreparo, ou questões sociais mesmo.
Mas não é por causa de uma platéia aquém às pretensões da peça que esta deve ser desmerecida. A contextualização da obra é um elemento interessante: no pátio, atores vestidos como agentes penitenciários coagem e humilham as pessoas (que demoram em se dar conta de que tudo não passa de uma encenação), fazendo da espera uma espécie de preparação para a visita à cadeia. O recurso do vídeo no palco também se mostra muito eficaz para exibir vivências anteriores das personagens. O curto tempo de duração também ajuda, indo de encontro à moda do teatrão de duas horas, que fatiga qualquer um.
Barrela concorreu ao Braskem de 2006 e volta em cartaz durante o mês de outubro no Xisto Bahia. Com um público mais comprometido, é certo que o espetáculo será levado a sério, como merece.

3 Comentários:

Blogger Woodstock disse...

hmmm é uma pena que o povo de salvador seja tão despreparado para o teatro quanto transparece. não se pode culpá-lo inteiramente qnd não se há ações de educação pró-teatro vinda do governo e até msm de nós mesmos, a chamada "elite cultural" [bleh]... é tiop ciclo vicioso, porém noa adianta reclamarmos se não fizermos.

9 de outubro de 2007 06:49  
Blogger Leitreiro disse...

Bilucaaa,
é mesmo, até eu gosto disso, apesar de ser o primo pobre... rsrs

Vê se não desaparece!

16 de outubro de 2007 01:28  
Blogger Manuel Barral disse...

seu texto é muito fraquinho, hermano.

3 de novembro de 2007 11:15  

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