quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Trainspotting


Para ter uma liberdade maior de escrever sobre filmes diversos, lanço aqui a seção TARJA AMARELA, propondo a discussão de obras mais antigas, perdidas entre a poeira das estantes mais obscuras das locadoras...

Mark Renton é o anticristo. Mas também é o anticristo mais legal do cinema. Ele trapaceia, rouba e destrói os amigos, com uma amoralidade singular, banhada de questionamentos morais (!), críticos e filosóficos.
Interpretado por Ewan McGregor antes de se tornar propriamente um astro do cinema mundial, Renton é o protagonista de Trainspotting, um filme europeu de 96 baseado na obra homônima de Irvine Welsh, que se dispõe a narrar o submundo viciado da juventude de classe média escocesa. Ele e seus amigos recusam-se a viver uma vida de mediocridade consumista e encontram na heroína o escape de todas as obrigações sociais. Acompanhado a isso, vêm todos os pesares do vício: a chegada ao inferno, a recuperação, as recaídas. Tudo isso retratado com agilidade e um certo humor sombrio. Não de forma enfadonha, fantasiosa e pseudo-realista como um outro grande fenômeno da década de 90: Diário de um adolescente, com Leonardo DiCaprio.
Talvez por ser justamente de outro tempo, algumas coisas incomodem um pouco, como a escatologia exagerada em algumas cenas. A necessidade de chocar o espectador supera o bom senso (embora alguns consigam rir descontroladamente com a cena do lençol).
Cheio de metáforas e com uma trilha sonora marcada por eletrônicas substancialmente noventistas, o filme marcou a incrível parceria entre o diretor Danny Boyle e Ewan, que já presentearam o cinema com outras obras tão legais quanto esta (como Por uma vida menos ordinária, com Cameron Diaz).
Resta agora aguardar mais uma contribuição deles, com a esperada (e já lendária) seqüência baseada no segundo livro de Welsh. Intitulada Pornô, a continuação mostra Renton anos após a sua promissora fuga para o American Way of Life, aliado aos seus antigos amigos, lançando-se no ramo da produção do cinema de pornografia. Um dia sai.

3 Comentários:

Blogger Pedro disse...

o bom é que o povo finge não ler...

12 de agosto de 2007 21:01  
Blogger Carmem disse...

Se o povo finge, não sei... Eu não finjo, não! É que não havia voltado aqui mesmo! Li tudo o que havia de novo e continuo gostando.
Beijo!

16 de agosto de 2007 15:08  
Blogger Michelly disse...

bueno

6 de março de 2009 19:46  

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