quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Rent


O filme não é novidade nas locadoras. Mas como nem só de lançamentos vive o homem, senti necessidade de escrever sobre ele assim que terminei de ver.
Rent começa muito bem. Com um movimento de câmera interessante, os atores são apresentados e os créditos surgem. Mas já na metade da primeira música a coisa desanda. Os excessos da música pop americana começam e o filme perde a graça gradativamente.
Narra um ano na vida de amigos boêmios compromissados contra o sistema opressor, que se drogam são vítimas do HIV (na sua maioria) e cantam. Mas o erro primordial é justamente a musicalidade do filme. As canções são fraquíssimas: diálogos cantados ruins que não possuem a rima como prioridade, bases pobres. É preciso fazer justiça, algumas são interessantes (como o Tango Maureen, o solo de Rosario Dawnson e a gracinha na mesa do bar, La Vie Bohéme), mas não são suficientes para salvar o filme.
Além de tudo, é um musical de estereótipos: compõem o ciclo de personagens, O Roqueiro infectado, O Certinho, A Puta Viciada, A Sapata, A Promiscua, O Mano e O/A Travesti Aidético. Prega a liberdade de comportamentos, mas não propõe discussões mais profundas, não retira os paradigmas que envolvem esses tipos nos clichês habituais da sociedade. Estão todos ali, exercendo papéis “comuns”, esperados pela sua conduta errônea.
Baseado numa montagem da Broadway da década de 80, Rent, que se passa na mesma época, deveria emocionar por tratar da explosão da AIDS na América e falar da miséria humana, mas acaba se perdendo e adotando a cafonice característica do período com seriedade, aí já vira motivo de piada.

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