quinta-feira, 30 de agosto de 2007


A especialização de um indivíduo numa profissão gerou o vestibular.
A necessidade de se passar no vestibular pra ser “alguém na vida” gerou indivíduos neuróticos.
A pressão em cima desses indivíduos para uma aprovação certeira no exame, gerou os cursinhos pré-vestibulares.
Os cursinhos geraram uma nova linhagem social, composta de seres imortais, acima do bem e do mal e de um charme inigualável: o professor de cursinho.
Os papas do vestibular sabem de tudo: todos os macetes, todas as manhas. Com eles, a aprovação é garantida. Um grupo seleto e quase fechado, que se repete e pouco varia nas inúmeras casas do ramo. É daí que surge a fama, o status de celebridades locais: todo mundo conhece, todo mundo gosta, todo mundo ama.
A irreverência e a originalidade ao quebrar os paradigmas da estrutura escolar e dar aulas ágeis em meio a baixarias e piadas que animavam o tempo do cafunga, (preconceituosas, na maioria das vezes, porque a ética inexiste) contribuem para esse sucesso. Além disso, escarnecem tudo: a educação, os alunos, os colegas, o mundo- porque fazer crítica social é muito cool- uma forma de enaltecer a si mesmos, os detentores do conhecimento, que sabem aplicar o assunto do alto da sua boçalidade ostensiva, exibindo os seus celulares caros, laptops- brinquedinhos eletrônicos de charlar.
A condição de destaque na frente da sala e a suposta maturidade despertam a mais profunda curiosidade guardada nas entranhas ginecológicas das alvoroçadas alunas, que dedicam as suas rotinas ao estudo e à arte do frete। Muitas delas são correspondidas pelos anciões (alguns ainda guardam resquícios da simpatia de outrora, é verdade) obcecados em demonstrar para si mesmos o quanto ainda podem ser machos viris.
Bestificados, os neuróticos assistem।Alguns se deixam levar pelo lado lúdico da coisa e sem muito senso crítico conseguem se divertir. Os que sobram, padecem. Fazem o que podem para aproveitar do que se aprende do show. Sabem que terão de vê-lo novamente se não conseguirem dar conta do recado. Esganam-se, gritam e acendem uma vela pro Expedito, pra ver se pelo menos rola de ser alguém na vida.

2 Comentários:

Blogger Carmem Silvia disse...

Pensei que professor de cursinho fosse coisa do passado... do meu tempo - que já era assim!

31 de agosto de 2007 06:41  
Blogger Woodstock disse...

mel dels!! e eu q vou cair nessa vida de novo!! regredi!! mori!

31 de agosto de 2007 19:11  

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